segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Luminária artesanal

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Novas máquinas de fazer arte

Como as novas tecnologias afetam a maneira de nos relacionarmos? Qual seu impacto no comportamento do homem moderno? De que modo elas transformam o fazer artístico? São esses os questionamentos que permeiam a exposição “Art Machine Vision”, que estréia hoje na Universidade De Fortaleza. Mas não espere respostas das instalações elaboradas pelos artistas britânicos Russel Murray e Alex Jukes - até porque isso seria deveras presunçoso. O objetivo é instigar mais do que solucionar, oferecer ao espectador oportunidade de reflexão por meio de várias imagens, sons e muita interação.A idéia surgiu em 2007, quando a dupla de pesquisadores foi convidada pelo Museu de Ciências e Indústria de Manchester a realizar uma exposição. “Decidimos fazer uma série de exibições que refletisse parte da história da indústria, e como essa evolução se relaciona com as tecnologias hoje. Cederam-nos um espaço cheio de máquinas incríveis da época vitoriana. Combinei filmagens originais dos equipamentos com imagens criadas a partir de interfaces digitais e novos aplicativos”, explica Murray.Assim surgiu uma das instalações, “Novas Visões de Máquinas Antigas”, na qual três telas mostram clips contínuos de 15 minutos cada. “O que me interessa é a maneira como o espectador reage. Tento evocar emoções no lugar de contar uma história”, revela. Já em “Magnificação”, de Jukes, pode-se ver, através de poderosas lentes de aumento, uma animação de formas celulares e em desenvolvimento embrionário. Distorcidas, as imagens transitam entre o reconhecível e o puramente abstrato.Ele também é responsável por “Olhos Interativos”, em que cinco aparelhos de televisão mostram olhos programados para seguir o visitante. Ao mesmo tempo que suscita reflexões sobre inteligência artificial e nossa conexão com as máquinas, a obra pode remeter ainda à discussão da vigilância (encarnada na figura do Big Brother). “Vigilância faz parte da peça, porque é inerente ao entendimento sobre o olho, mas o propósito é, na verdade, construir uma noção de tecnologia e interação através de uma imagem. Meu trabalho desdobra-se em trazer novas idéias ou recriá-las, redefinir a tecnologia ao invés de recorrer a equipamentos prontos. Utilizo materiais tão díspares quanto concreto e um tocador mp4, em busca de um lugar ambíguo para colocar a tecnologia”, detalha Juke.O mesmo espírito inovador faz-se presente ainda em “Onde Fomos Quando Deixamos este Lugar”, idealizado pelos dois artistas. A montagem explora a construção e o movimento de novos objetos e sons no espaço virtual. “Trabalhamos com imagens totalmente digitais, então tudo nessa peça vem do nada, de fractais”, empolga-se Murray. Por fim, em “Naquele Momento, Mas Não Exatamente”, o público tem a oportunidade de gerar suas próprias imagens, graças a uma câmera que capta o movimento e processa o resultado, antes de projetá-lo em tempo real. “Arte também está relacionada ao brincar, porque leva as pessoas a fazer algo que não fazem no dia-a-dia”, observa Murray.A opinião é compartilhada pelo colega Jukes. “Brincar é sempre uma parte importante da arte, mas os dois andares onde funcionará a exposição representarão tipos diferentes de estados emocionais. No piso as pessoas poderão interagir com o software. No andar de cima a experiência será mais aprofundada, em termos daquilo que esperamos do espectador. Acho que isso vai ficar evidente”, acredita.

Fonte: Diário do Nordeste